quinta-feira, 15 de março de 2012

SER ZEN

     Ser zen não é ficar numa boa o tempo todo, de papo para o ar, achando tudo lindo sem fazer nada.
     Ser zen é ser ativo. É estar forte e decidido. E caminhar com leveza, mas com certeza. É auxiliar a quem precisa, no que precisa e não no que se idealiza.
     Ser zen é ser simples. Da simplicidade dos santos e dos sábios. Que não precisam de nada. Nada mais que o necessário. Para o encontro, a comida, a cama, a diversão, o trabalho.
     Ser zen é fluir com o fluir da vida. Sem drama, sem complicação. Na hora de comer come comendo, sem ver televisão, sem falar desnecessário. Sente o sabor do alimento, a textura, o condimento. Sente a ternura (ou não) da mão que plantou e colheu, da terra que recebeu e alimentou, do sol que deu energia, da água que molhou, de todos os elementos que tornam possível um pequeno prato de comida à nossa frente. Sente gratidão, não desperdiça.
     Come com alegria. Para satisfazer a fome de todos os famintos. Bebe para satisfazer a sede de todos os sedentos. Agradecendo e se lembrando de onde vem e para onde vai.
     A chuva, o sol, o vento.
     O guarda, o policial, o bandido, o açougueiro, o juiz, a feiticeira, o padre, a arrumadeira, o bancário e o banqueiro, o servente e o garçom, a médica e o doutor, o enfermeiro e o doente, a doença e a saúde, a vida e a morte, a imensidão e o nada, o vazio e o cheio, o tudo e cada parte.
     Ser zen é ser livre e saber os seus limites.
     Ser zen é servir, é cuidar, é respeitar, compartilhar.
     Ser zen é hospitalidade, é ternura, é acolhida.
     Ser zen é o kyosaku, bastão de madeira sábia, que acorda sem ferir, que lembra deste momento, dos pés no chão como indígenas, sentindo a Terra-Mãe sustentando nossos sonhos, nossas fantasias, nossas dores, nossas alegrias.
     Ser zen é morrer
     Morrer para a dualidade, para o falso, a mentira, a iniqüidade.
     Ser zen é renascer a cada instante. Na flor, na semente, na barata, no bicho do livro na estante.
     Ser zen é jamais esquecer de um gesto, de um olhar, de um carinho trocado no presente-futuro­passado.
     Ser zen é não carregar rancores, ódios, cismas nem terrores.
     Ser zen é trocar pneu, as mãos sujas de graxa.
     Ser zen é ser pedreiro, fazendo e refazendo casas.
     Ser zen é ser simplesmente quem somos e nada mais. É ser a respiração que respira em cada ação. É fazer meditação, sentar-se para uma parede, olhar para si mesmo. Encontrar suas várias faces, seus sorrisos, suas dores. É entregar-se ao desconhecido aspecto do vazio. Não ter medo do medo. Não se fazer ou, se o fizer, assim o perceber e voltar.
     Ser zen é voltar para o não-saber, pois não sabemos quase nada. Não sabemos o começo, nem o meio, muito menos o fim. E tudo tem começo, meio e fim.
    Ser zen é estar envolvido nos problemas da cidade, da rua, da comunidade. É oferecer soluções, ter criatividade, sorrir dos erros, se desculpar e sempre procurar melhorar.
    Ser zen é estar presente. Aqui, neste mesmo lugar. Respirando simplesmente, observando os pensamentos, memórias, aborrecimentos, alegrias e esperanças.
     Quando? Agora, neste instante. É estar bem aqui onde quando se fala já se foi. Tempo girando, correndo, passando, e nós passando com ele. Sem separação.
     Ser zen é Ser Tempo.
     Ser zen é Ser Existência.


Autor: Monja Coen
Fonte:
Livro - Sempre Zen
Editora:
Publifolha
 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Liberdade




:: Elisabeth Cavalcante ::

Todos ansiamos por liberdade, mas poucos são os seres humanos que têm a real dimensão desta palavra. Muitas pessoas afirmam desejar ser livres, mas reclamam que sua liberdade é obstruída por várias causas.

Geralmente culpam alguém ou as circunstâncias por sua falta de liberdade. Esta é uma das armadilhas mais comuns em que o ego nos enreda. A falta de maturidade e coragem em pagar o preço que for necessário pela liberdade nos faz encontrar uma série de desculpas para justificar a nossa inércia.

Ser livre implica, antes de tudo, numa grande responsabilidade. Pois, sejam quais forem os enganos que cometermos, teremos que assumir as consequências sem poder colocar a responsabilidade sobre ninguém mais.
Entretanto, os aspectos positivos da liberdade e o crescimento interior que ela proporciona não tem preço. Antes de tudo é necessário reconhecer nosso ego infantil, que adoraria ter alguém para resolver todas as dificuldades.

É ele quem sempre nos levará a buscar justificativas para nossa infelicidade, como se nada tivéssemos a ver com a direção que toma nossa própria vida. Enquanto não formos capazes de enxergar esta verdade, seguiremos nos lamentando e colocando em fatores externos a culpa por nossa falta de liberdade.

Não se trata de negar o quanto é dificil superar nossos medos e fragilidades. Porém, desejar uma saída apesar de tudo, é essencial. Sempre é possível encontrar ajuda quando percebemos que sozinhos não daremos conta da tarefa.
O mais importante é reconhecer que somos nós e somente nós os responsáveis por construir a paz, a harmonia e a serenidade interior com que sonhamos.

"Não há ninguém para decidir por você.

É a sua vida, de ninguém mais. Toque a guitarra, toque a flauta, ouça música, crie música. Apenas escolha as coisas que você gosta.
Não há ninguém mais para decidir por você. E é onde você está criando
problemas - você está ouvindo as opiniões dos outros....

Não ouça ninguém. E lembre-se que o que quer que você goste, desfrute
e aceite as consequências -, porque haverá consequências...

A minha abordagem é: ouça o seu ser, a sua natureza. Este é o seu destino, nada mais é importante. Aceite a si mesmo na totalidade, não condene".

OSHO.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Massagem ao som de rock: o spa ficou radical


Oferta de serviços terapêuticos vai do inusitado ao bizarro em busca de clientes que procuram experiências inéditas

The New York Times*

Foto: Deidre Schoo/The New York Times Ampliar
Cliente recebe a massagem Rhythm and Bliss, em Nova York: relaxamento ao som de rock
Adeus, flautas de Pã e didjeridus. Uma massagem que começa a ser oferecida na rede Bliss, em Nova York e em Hoboken, Nova Jersey, permite que os clientes sejam amassados enquanto ouvem Led Zeppelin, Pearl Jam e U2.


A nova massagem Rhythm and Bliss rejeita a ideia de que o New Age é a trilha sonora universal do relaxamento. Os clientes ouvem amostras e depois selecionam entre quatro playlists musicais (rock, clássico, world e eletrônica), colocam fones de ouvido bluetooth (que também bloqueiam os sons dos corredores), e passam a hora seguinte sendo massageados em sincronia com a música escolhida.
“Estamos realmente tentando desafiar os limites”, disse Ben Brown, um massagista que criou as playlists, além de outras mais tradicionais para os spas Bliss, espalhados por todos os Estados Unidos. A versão de rock começa com os Kinks e inclui sucessos universitários, além de novos artistas.
“As pessoas diziam: ‘Não se pode fazer massagem com rock’”, disse Brown. “Mas a verdade é que isso é bastante possível.” (E pelo preço de US$ 155, é mais barato do que muitos shows ao vivo.)


A Rhythm and Bliss integra uma nova onda de massagens especializadas que vai muito além de pedras, óleos e lama para tranquilizar o corpo e transportar a mente. O objetivo dessas massagens extremas é afetar todos os sentidos, usando música, luzes coloridas, vibrações, mesas giratórias, pedras preciosas – e até mesmo cobras vivas, em um spa em Israel. Embora répteis não sejam comuns em spas (ainda), massagistas afirmam que os serviços turbinados estão decolando, graças a uma nova geração de frequentadores de spa interessados, que estão dispostos a se aventurar mais, especialmente diante da promessa de um relaxamento mais rápido.
“Se você experimentar cromoterapia, aromaterapia, fones de ouvido ou vibrações, será transportado para um lugar diferente de onde jamais esteve”, disse Susie Ellis, presidente do SpaFinder.com, um website do setor. “Você chegará lá mais rápido, que é o que deseja.”
Em um relatório recente publicado em seu website, Ellis afirma que um número crescente de spas têm seguido os passos de lugares como o Miraval, em Tucson, no Arizona, onde o tratamento Taiz Sensorium inclui ser tocado por uma máquina que parece ter sido projetada por alienígenas para sondar o corpo humano – a propaganda do spa afirma que a sensação resultante já foi descrita como “voar como o Super-Homem para galáxias distantes”.
O novo Qua Baths and Spa, no Caesars Palace, em Las Vegas, oferece massagens Aura-Soma, que incluem luzes coloridas. E no Mii amo Spa, em Sedona, no Arizona, um novo tratamento chamado Kinetic Flow usa uma mesa de massagem que pode girar e balançar os clientes para fazer com que eles se sintam como se estivessem boiando na água.

A nova massagem Gemstone Vitality, no spa do Mandarin Oriental, em Boston, começa com uma consulta na qual é apresentada aos clientes uma bandeja de cerâmica contendo quatro pedras preciosas: granada, turmalina, quartzo fumê e ametista. Pede-se que os clientes segurem as pedras e escolham aquela com a qual sintam uma ligação.
“Você se sentirá atraído por uma das pedras”, disse Karen Aleksich, a gerente de tratamentos do spa e criadora dessa massagem. “É como se ela falasse com você.”
As pedras usadas na massagem foram escolhidas porque podem ser encontras na Nova Inglaterra (embora não venham necessariamente de lá), seguindo uma tendência do setor de utilizar materiais locais. O Four Seasons Resort, em Punta Mita, no México, por exemplo, oferece massagens com tequila.
Segundo Aleksich, às vezes as pedras parecem emitir calor. Ela afirma que vários de seus clientes já disseram que, apesar de acharem a princípio que escolheriam uma das pedras, depois não conseguiram segurá-la. A massagem começa depois que uma pedra é escolhida, com a adição de um óleo complementar. O massagista pode pedir que o cliente segure a pedra durante a massagem, ou a gema pode ser colocada na testa ou na lombar do cliente.
“As pedras preciosas todas têm suas próprias propriedades curativas”, disse Aleksich. A granada, por exemplo, supostamente tem a capacidade de aumentar o vigor e oferecer uma sensação de coragem, como algo saído do filme “O Mágico de Oz”. A massagem custa US$ 280 de segunda a quinta e US$ 295 de sexta a domingo. Por mais US$ 10 a US$ 20, os clientes podem levar a pedra para casa.
Aleksich acredita que uma das razões que está levando as massagens especializadas a se tornarem mais famosas é que os frequentadores de spas estão mais experientes. Técnicas que seriam consideradas puramente esquisitas há dez anos, hoje são aceitas, porque os benefícios da massagem são amplamente reconhecidos.
“Hoje as pessoas dizem, ‘Você já fez aquilo por mim, então o que mais pode fazer?’”, ela disse.
Por isso, estão surgindo excentricidades, como a WaveMotion Table do Mii amo, que levanta algumas questões importantes, como a ocorrência de náuseas. Segundo Chris Bird, gerente geral do Mii amo, nenhum cliente jamais reclamou de enjoo (embora o tratamento não seja recomendado para gestantes ou qualquer pessoa com vertigem aguda, problemas no ouvido ou que esteja fazendo tratamento de quimioterapia). Ele afirma que a sensação é de ausência de peso e de feliz entrega.
Segundo Bird, há sempre um atendente presente e os clientes ficam completamente vestidos durante a massagem, que também envolve alongamento, em um esforço para “abrir o sistema linfático”. As mentes também podem acabar mais abertas.
“Algumas pessoas entram completamente em suas próprias cabeças ao receberem uma massagem”, disse Bird, mas, nesse caso, “você não tem uma ideia preconcebida de como será o tratamento”.
E apesar de ser pouco provável que os clientes flutuem para o mundo dos sonhos durante uma massagem rock 'n' roll, Brown, da Bliss, afirma que aqueles que experimentaram ainda assim ficam relaxados depois, ou pelo menos em um clima diferente do que costumam ficar no dia a dia do trabalho.
“Você pode usar a massagem como uma preparação antes de sair para curtir a noite”, disse ele.
* Por Stephanie Rosenbloom